Professoras criam bonecas negras para promover integração dentro de escolas

10/06/2021

Amigas conduzem projeto em Santos, no litoral paulista, e contam com a ajuda da artista Makena Aduke, que cuida da parte visual e on-line. Educadoras já ganharam prêmios com a iniciativa e buscam expandi-la.

Identificação

A falta de bonecas negras no mercado e a dificuldade de crianças se identificarem com os brinquedos inspiraram duas professoras da rede pública de Santos, no litoral paulista. Andréa dos Santos Silva, de 42 anos, e Fabiana Mendonça dos Santos, de 39, passaram a confeccionar bonecas negras para o projeto 'Mãos Negras: Bonecas de pano', iniciativa que visa criar identidade em crianças negras nas escolas.

“Eu sofri muito na escola, era o local mais hostil, e na minha época não tinha um trabalho desse. Com o projeto, elas têm contato com essa consciência e cultura negra, o que ajuda. Elas não passam o que passamos”, salienta Andréa.

Ideia do projeto

A ideia do projeto surgiu em 2015, ano em que uma das alunas de Fabiana dizia ser branca nas aulas, mesmo sendo negra. Ao ter contato com uma boneca produzida pela professora, a menina decidiu que queria uma igual. “A mãe foi à escola perguntar se estava tendo algum trabalho, porque a filha falou que o presente que ela queria no Dia das Crianças era uma boneca negra igual a ela”, relembra a professora.

Fabiana conta que, desde esse primeiro contato, passou por diversas experiências similares, de meninas que passaram a se ver nas bonecas produzidas por ela. Em 2016, junto com Andréa, iniciou a produção dos brinquedos e o projeto. Se reunindo aos fins de semana e em horários de folga, as amigas usam o tempo livre para confeccionar bonecas, que são doadas ou vendidas a instituições. Elas também recebem encomendas.

Apresentações

Além das amigas, a filha de Andréa, a artista Makena Aduke, auxilia em apresentações e cuida da parte on-line da iniciativa. Ela é responsável pelas encomendas pela web e por postar os trabalhos realizados nas redes sociais.

Para Andréa, o especial do projeto é conseguir trabalhar a identidade de crianças desde cedo, e poder levar representatividade ao ambiente escolar. “A gente viu que não tinha representatividade de meninas negras. Nos encanta ver a alegria delas, porque não fazemos só bonecas, e sim, um movimento”, salienta a educadora.

Representatividade

Atuando na Educação Infantil, Fabiana conta que viu diversas meninas se reconhecerem negras após o projeto, além de levarem a discussão racial para dentro de casa, conscientizando familiares. “É isso que esperamos, que o projeto atinja as pessoas negras e não negras. Elas precisam ver essa representatividade. É complicado quando temos referências apenas de uma etnia”, explica.

Prêmio Educador Santista

Evitar que crianças passem por episódios de preconceito foi o que motivou o projeto, que ganhou duas vezes seguidas, em 2º e 3º lugar, o Prêmio Educador Santista. O reconhecimento foi essencial para as duas professoras, que comemoram a conquista e pensam em planos futuros para o projeto.

“Pretendemos ampliar nossos estudos, para começar a confeccionar materiais pedagógicos mais práticos, para assistir de forma mais positiva os alunos. Estamos analisando como podemos fazer isso”, explica Andréa. Ela conta que produzir material para ser utilizado em aulas é algo que tem sido pensado pelas duas amigas.

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Fonte: G1

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