Calouros de Arquitetura e Design da USP receberão kit com materiais de desenho

08/01/2019

Kauan Silva começou a estudar Arquitetura em uma instituição particular com bolsa do Prouni, entretanto, acabou trancando o curso. Um dos motivos da desistência foi a longa lista de materiais exigidos para as aulas, que não cabia no orçamento da família. Meses depois, quando soube que a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, em São Paulo, havia suspendido a prova de habilidades específicas em seu processo seletivo, decidiu tentar entrar no curso novamente. Ele não só foi aprovado, desta vez, em uma universidade pública, como não precisou mais se preocupar com boa parte daquela lista.

Na sua primeira semana de aula, em 2018, Kauan Silva e todos os ingressantes da FAU receberam um kit com diversos tipos de lápis e lapiseiras, régua, estilete, borracha, escalímetro e jogo de esquadros, ou seja, instrumentos básicos que seriam utilizados durante toda a formação.

A lista foi pensada após uma grande consulta a professores e estudantes, que resultou em um conjunto de materiais técnicos comuns à maior parte das disciplinas dos cursos de Design e Arquitetura. “Decidimos que aquilo seria para todos, para quem pudesse ou não comprar, porque não se trata de uma política assistencialista, mas de permanência estudantil”, explica a diretora da FAU, Ana Lúcia Duarte Lanna.

À época, a professora presidia a Comissão de Graduação da FAU, coordenando a criação do kit com a comunidade da faculdade.

A ideia começou a ser discutida quando a unidade decidiu extinguir temporariamente a prova de habilidades específicas como critério de seleção dos candidatos. A avaliação exigia conhecimentos em geometria e desenho e noções de representação espacial, uma condição apontada por muitos como elitista.

Com a decisão, a FAU pôde aderir ao Enem e o perfil dos alunos começou a mudar. “Não foi apenas uma mudança de renda, mas de perfil geográfico, de origem familiar, práticas culturais. E no processo de discussão e reconhecimento desse novo aluno, pensamos numa série de iniciativas e o ‘kit calouro’, como foi nomeado, foi uma delas”, conta Ana Lúcia.

Cada kit custou cerca de R$ 290. Fazer a compra não foi simples, já que todos os itens apresentavam diversas especificações técnicas para garantir sua qualidade. “Deve haver precisão dos traços, as réguas precisam ser bem cortadas, a borracha precisa ser de um determinado material”, exemplifica a professora. A iniciativa, desde o planejamento, compra e montagem dos kits, mobilizou docentes, funcionários e alunos e contou com o apoio financeiro da Pró-Reitoria de Graduação da USP.

Além destes materiais, a FAU também se movimentou para realizar uma grande compra de um item essencial de desenho: papel. Assim, cada um dos alunos – e não só os do primeiro ano – têm direito a uma cota de impressão em diferentes tipos de papel.

O kit que será distribuído em 2019 conta com duas novidades: uma trena e um livro sobre um dos edifícios da FAU.

Diversidade

Os alunos que começaram a faculdade em 2018 – 150 alunos de Arquitetura e 40 de Design – foram os primeiros a terem acesso aos materiais. A turma do ano anterior, no entanto, foi a primeira com ingressantes do Sisu, uma experiência que ajudou a entender os desafios que esse novo perfil de alunos apresentava à FAU. Os estudantes se queixavam, por exemplo, do estranhamento junto aos professores, que esperavam deles alguns conhecimentos técnicos prévios. Agora, o próprio kit calouro é uma espécie de apresentação a esse novo mundo.

Ao suspender a prova de habilidades, a FAU adotou o compromisso de rediscutir a medida após um período de cinco anos. Para a diretora da unidade, as mudanças provocadas pela adesão ao Sisu estimularam uma reflexão bastante produtiva, necessária a qualquer unidade de ensino. E menciona outro grande ganho: a diversidade dos alunos, que trazem para a sala de aula diferentes experiências de cidade.

A estudante do segundo ano de Arquitetura, Ketlyn de Freitas, concorda. “Até a turma que entrou em 2016 você percebe que há um perfil mais homogêneo. São pessoas de determinados bairros, colégios, famílias. Depois, você vê que mudou, e não só em termos de condições financeiras. Hoje, numa mesma mesa de trabalho, temos pessoas do Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Minas Gerais, do interior de São Paulo e cada um apresenta seu ponto de vista. São muitos sotaques e visões diferentes e isso é muito rico”, afirma a aluna, que ingressou na USP pelo Sisu.

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Fonte: Jornal da USP

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