Entra ano, sai ano, vêm eleições, passam-se eleições, e o discurso se repete. Os atores e o enredo também se repetem: educação, saúde e outros adereços é a “nossa prioridade”. E cada partido, ao seu estilo, replica o mesmo discurso.

Será, mesmo?

Os resultados do IDEB de 2016 evidenciaram a falência da educação brasileira, com notas de 5,5 no Ensino Fundamental I, 4,5 no Ensino Fundamental II e 4,5 no Ensino Médio.

Mesmo aqueles mais céticos, aos serem confrontados com tais resultados, ficaram perplexos quanto a tal prioridade. Há que se perguntar se os gestores também fizeram algum tipo de avaliação.

Auditores externos

Fica muito nítido o estado da nossa educação quando instituições supranacionais e suprapartidárias, utilizando o mesmo critério,  analisam resultados de avaliações aplicadas em condições relativamente semelhantes mundo afora.

Foi o que aconteceu quando a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) divulgou o resultado do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes).

Lastimavelmente, os resultados do Brasil não deixam dúvidas sobre a precariedade da educação no país. Dentre os 70 países que participaram do PISA de 2015, o Brasil teve uma performance  muito abaixo da média nas três modalidades avaliadas: leitura, ciências e matemática.

No caso específico da matemática, os resultados foram ainda mais comprometedores se confrontados com os nossos próprios resultados de anos anteriores. Retroagimos aos patamares de 2006

enemex3http://portal.inep.gov.br/internacional-novo-pisa-resultados

É ainda mais constrangedor saber que, pelos critérios adotados e o modelo utilizado para metrificar tais resultados, cada 30 pontos na média equivalem a um ano estudos. Em ciências, a nossa nota foi de 401 pontos, enquanto a média dos países da OCDE foi de 493. Dito de outra forma, a diferença de 92 pontos mostra que temos três anos de escolaridade atrasada em relação ao resto do mundo. Em leitura, nossa nota foi de 407 pontos, contra 493 da média do OCDE. Podemos dizer que matemática foi uma verdadeira catástrofe. Nossa nota foi de 377, contra 490 da OCDE. Essa diferença de 113 pontos evidencia que nossa escolaridade está atrasada em quatro anos.

Nossas posições relativas no ranking dos 70 países não deixam dúvida alguma sobre a nossa precariedade: 59a em leitura;  63a em ciências e 66a em matemática.

Abismos escolares

A cada ano em que é aplicado, o PISA dá uma ênfase especial em uma das três áreas. Em 2015, foi ciências, área na qual tivemos uma média pífia de 401 pontos. Chama muito a atenção o fato de que essa média não é representativa, por apresentar um elevado desvio padrão, dada a existência de um verdadeiro abismo que separa as instituições de ensino no Brasil.

Fica muito evidente que o grande gargalo está bem localizado nas redes estaduais  e municipais de ensino.

enemex 2

Entre tantos aspectos e informações interessantes do PISA, um é merecedor de atenção: aquele que compara a eficiência do recurso público investido.  Países como México, Uruguai e Colômbia investem em seus estudantes menos do que o Brasil. Entretanto, tiveram resultados melhores em ciências.

Por qualquer ângulo que se possa olhar e analisar esses resultados e outros que compõem o PISA, fica evidente que a educação de fato não tem sido a prioridade anunciada aos quatro cantos. Se alguém acredita que a educação é uma prioridade, deve então reconhecer a total incompetência na sua gestão, especialmente nos âmbitos estaduais e municipais.