O mercado imobiliário vem apresentando um crescimento vertiginoso no Brasil, tanto em empreendimentos comerciais como residenciais dos mais variados tipos, tamanhos e preços. Essa verdadeira explosão da construção civil por um lado aqueceu o mercado imobiliário e de setores de comércio e da indústria de equipamentos, peças e matérias primas em geral, por outro criou uma concorrência muito grande, o que resulta em ofertas variadas para se atrair o consumidor ou mesmo uma bolha especulativa, que pode desestabilizar a economia, caso não se tomem os devidos cuidados. A corrida pela compra dos imóveis, em alguns casos, tomou proporções gigantescas e elevou os preços de forma abrupta. Esta mesma oferta de novas construções, mesmo que supervalorizadas, desarticularam o mercado de imóveis mais antigos, principalmente pelas facilidades de financiamento, opções de novas construções e o apelo de conceitos modernos de habitação. Prédios residenciais transformaram-se em verdadeiros resorts, atraindo uma nova classe média que se fortalece a cada dia no Brasil. Outra característica interessante dos novos empreendimentos é a preocupação ambiental e a sustentabilidade do edifício, desde a concepção do projeto até a gestão do condomínio ou empresa. Essa visão está diretamente relacionada com o apelo do desenvolvimento sustentável pregado pela mídia e pela conscientização de parte da sociedade, entretanto ainda encontra certa resistência por parte dos empreendedores, sejam os construtores ou consumidores, principalmente no que diz respeito aos custos de construção e manutenção do empreendimento. As preocupações ambientais são realmente merecedoras de crédito? Até que ponto a preocupação com a origem, forma de extração ou produção das matérias primas contribui para uma maior sustentabilidade? O resíduo gerado pelo empreendimento deve ser descartado de forma cuidadosa e adequada? Todos esses aspectos de fato contribuem para um mundo mais sustentável onde a preocupação socioambiental não se restringe ao marketing de um modismo hipócrita e demagogo? Acreditar em mudanças qualitativas, em todos os sentidos, deve passar necessariamente por um processo de conscientização da sociedade e do empresariado. Sem haver uma percepção crítica da sociedade que leve a novos paradigmas que reflitam na forma e no volume do consumo, não ocorrerão mudanças significativas em nenhum aspecto. Muitas vezes o processo de produção está intrinsicamente ligado às estruturas viciadas ou corrompidas onde a busca por lucro desenfreado “se manifesta na desagregação e na corrosão do tecido social1” culminando em processos de exclusão e em muitos casos em experiências violentas na sociedade.

Para visualizar a tese completa clique aqui!